NOTÍCIAS DE ATIVIDADES

Acabei de concluir uma tradução da tragédia sofocleana Rei Édipo, depois de um novo e prolongado estudo do texto. Vali-me da famosa edição oxoniana de H. Lloyd Jones e N. G. Wilson. Claro está que consultei outras edições, mas me mantive fiel ao texto estabelecido pelos dois ilustres filólogos. A tradução deve sair pela Editora Martin Claret, que me fez a encomenda. Já lhe remeti o trabalho, que compreende, também, uma introdução e comentários. Agora estou traduzindo a Antígone de Sófocles (edição de Hugh Lloyd-Jones), também para a Marin Claret. Enfrento a densidade enlouquecedora dos versos sofocleanos, com seus múltiplos sentidos. Uma aventura, uma grande labuta.

Tenho ainda um outro projeto nessa área, a que me dedico quando posso: a tradução dos Hinos Órficos. Encomenda da Odysseus, felizmente sem prazo de entrega. Mas passar de uma coisa a outra, trabalhar quase simultaneamente com o texto sofocleano e os poemas órficos —que só de vez em quando enfrento, nas pausas do trabalho maior —  até me ajuda a descansar a cabeça. (A propósito, tenho uma teoria: quando a gente se empenha em um único trabalho intelectual, a fadiga é grande; se forem dois ou três, ela diminui). No caso dos órficos, a tradução me exige muito menos esforço. A grande labuta será com os comentários. Mas disso tratarei depois, quando tiver mais folga. Para o leitor deste meu site, mando agora como brinde o Hino Órfico a Pan.

Devo fazer, em breve, o lançamento de uma nova edição do meu livro “Rumores de Festa” pela Editora da Universidade Federal da Bahia. Segunda edição, ampliada por um pequeno estudo que lhe servirá de abertura. Farei conjuntamente com este o lançamento baiano de O Reinado de Édipo. É o que estou combinando com a EDUFBA  e com a Editora da Universidade de Brasília.

No computador, guardo dois livros de ensaios que ainda não tive tempo de concluir. Um deles aborda questões de hermenêutica, movendo-se entre a filosofia e a antropologia. Três estudos já estão prontos. Outro apenas pude iniciar: trata do que chamo de fabulação teórica. Nele retomo o exame de uma tese “fabulosa” de Schelling no Philosophie der Mythologie (comecei a tratar disso em meu livro Antropologia Infernal). Divirto-me pensando nos paralelos entre o mito schellingiano e mitos dos índios amazônicos…  Porém há muito mais coisa a dizer sobre a tal fabulação. Não tenho ainda um nome para este livro em germe; pensei em “Cantos de Cabeça Cortada”; mas talvez fique muito enigmático (e quiçá assustador),  pelo menos para quem não se lembra de Orfeu.

O outro livro já sei como se chamará: Os olhos negros do Brasil. Mas não sei quando o concluo. E tenho mais três que vivo desconcluindo…

Mas não vou falar deles agora.

Passo a outras atividades.

Vou postar hoje  neste site um resumo do Seminário sobre a Orla Atlântica de Salvador, promoção do Fórum “A Cidade Também é Nossa”, de que participo, e do Movimento Vozes de Salvador, que coordeno. Breve postarei também um parecer sobre o Projeto de Reti-Ratificação do Tombamento (de um trecho) da Orla Atlântica de Salvador. Eu o estou encaminhando ao Presidente do Conselho Consultivo da Sétima Superintendência Regional do IPHAN. Entre o tombamento e esta medida regulatória que deverá torná-lo efetivo transcorreram cinquenta anos de abusos. E coisa pior pode acontecer se o projeto ficar como está: embrionário, travado. Ele não teria sido sequer encetado sem a pressão feita pela sociedade civil organizada — e sem a intervenção consequente do Ministério Público. Mas para que se efetive, é preciso continuar com esta pressão.

A minha cidade, Salvador, está sendo vítima de múltiplas agressões, comandadas pela ganância de empresas inescrupulosas e por seus aliados encastelados em órgãos públicos. A devastação ambiental assume proporções de escândalo. A queda da qualidade de vida da população é alarmante e a degradação do patrimônio histórico desta urbe é cada vez mais acentuada. Chegou-se ao ponto de forjar um Plano Diretor do Desenvolvimento Urbano sem base técnica, escrito apenas para favorecer as imobiliárias. Uma criminosa verticalização da Orla foi facultada por essa legislação espúria. Escreverei mais sobre o assunto em outras oportunidades.

Devo participar, em setembro  próximo, de um seminário em que serão discutidos os projetos para Salvador relacionados com sua escolha como uma das sedes da Copa do Mundo e os impactos urbanos das iniciativas previstas. Tenho a impressão de que o assunto está sendo tratado de maneira leviana pelos governantes. O seminário vai reclamar a maior transparência dos projetos e buscará debatê-los. Entre as entidades que o preparam estão o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, o Instituto dos Arquitetos do Brasil (Seção Bahia), o Fórum e o Movimento de que falei. Darei notícia disso também aqui.

Em julho passado organizei, junto com Débora Nunes (arquiteta, Pró-Reitora de Extensão da Universidade de Salvador – UNIFACS), o III Seminário Lyon-Salvador com a temática “O Sentimento da Cidade”. A iniciativa desses seminários nasceu na minha gestão como Pró-Reitor de Extensão da UFBA e coroou uma série de entendimentos entabulados tempos atrás entre a UFBA e a Université Lumière Lyon II. Quando a UFBA concedeu o título de Doutor Honoris Causa a François Laplantine,  entre os colegas de Lyon que vieram para um encontro conosco estava o então Chefe do Departamento de Antropologia da Faculté d’Anthropologie et Sociologie da Lyon II, Thierry Valentin; eu chefiava, então, o Departamento de Antropologia da FFCH-UFBA. Pouco depois, Thierry e eu assumimos cargos mais ou menos equivalentes em nossas universidades: Vice-Président (chargé des Relations Internationales), Pró-Reitor (de Extensão). Propus a criação dos seminários e a idéia frutificou, graças ao empenho dos meus colegas daqui e de lá, principalmente Martin Soares.  O primeiro seminário celebrou-se em Salvador, o segundo em Lyon; a idéia era justamente esta, de relizá-los a cada ano em uma das duas cidades. O III Seminário nos levou a uma meta mais ambiciosa, quando a UNIFACS e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia se associaram à iniciativa (que aqui teve apoio do IPHAN e do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural, IPAC).  Em conseqüência, passamos a cogitar de seminários mais amplos, envolvendo quatro universidades baianas e as francesas ligadas ao programa L’Arc (da região de Rhône-Alpes). De imediato, fizemos acordos de co-tutela com a Lyon II; tornei-me co-tutor de uma aluna de lá e tenho mais um candidato…  Devo participar de um seminário em dezembro na Lyon II, em que esta idéia será também discutida. Mas em outubro aproveitarei minha passagem por lá (a fim de integrar duas bancas de doutorado) para trabalhar na nova proposta com Martin e colegas. Parece que neste ano não me falta o que fazer…