I SEMINÁRIO GEY ESPINHEIRA

No começo deste ano de 2010, propus ao Diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia que fosse criado um Seminário anual com o nome do nosso falecido colega Professor Gey Espinheira e voltado para a discussão de problemas urbanos, em especial de Salvador e Região Metropolitana.  Contactei também o Centro Acadêmico de Ciências Sociais (caciso) da FFCH/UFBA, que imediatamente aderiu à proposta. Mas apenas no segundo semestre deste ano foi possível começar a pôr em prática o planejado: o Primeiro Seminário Gey Espinheira teve lugar em dezembro de 2010, no Auditório do Centro de Recursos Humanos da UFBA, no campus de São Lázaro.

Nesta primeira edição, o Seminário compreendeu apenas duas sessões matutinas, em dias consecutivos, reunindo urbanistas e sociólogos. Foi coordenado pela Dra. Urpi Uriarte, minha colega do Departamento de Antropologia (especializada em Antropologia Urbana) e por um representante do CACISO, o estudante Gustavo  Costa. Registrou-se como atividade de Extensão do Departamento de Antropologia da FFCH/UFBA.

Da Mesa de Abertura, além dos organizadores, participaram o Presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Seção Bahia, Daniel Colina; a Professora Iracema Guimarães, representando o CRH / UFBA; o Professor Luiz Lourenço, Chefe do Departamento de Sociologia da FFCH/UFBA; e o Professor Rui Espinheira, irmão de Gey, representando sua família no evento. Seguiram-se duas notáveis palestras dos arquitetos Ana Fernandes e Paulo Ormindo Azevedo, discutindo a situação do planejamento urbano em geral e particularmente em Salvador, com um animado debate.  Na manhã seguinte compô-se uma mesa redonda em que o tema “Como Anda Salvador?” foi abordado pelos professores Inaiá Carvalho (CRH), Ângela Gordilho (FAU) e Gilberto Corso (FAU). Depois de suas palestras deu-se uma rica discussão do assunto com o público.

Creio que o evento teve sucesso. Mas ele foi apenas uma experiência piloto. No próximo ano, o Seminário Gey Espinheira terá maior amplitude. Meu desejo é que ele se torne um fórum regular de discussão universitária sobre a problemática urbana e metropolitana de Salvador, um ponto de encontro de especialistas que em diversas unidades da UFBA lidam com esta problemática, mas ao mesmo tempo um espaço aberto a pesquisadores de outras instituições e a lideranças de movimentos sociais aqui envolidos na luta pelo direito à cidade.  Já neste ano, na experiência piloto, marcaram presença membros do Movimento Vozes de Salvador e do Fórum “A Cidade também é Nossa”.

Limitamo-nos neste primeiro momento a promover uma interlocução entre professores e alunos da FFCH e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA.  Mas a idéia é avançar, trazer ao debate pessoas das mais diversas áreas que se interessam pelo assunto do Seminário.  Creio que devemos isso à memória de Gey, um grande sociólogo e também um cidadão exemplar, engajado na luta contra a desigualdade e pela melhoria da qualidade de vida do povo de Salvador, dos baianos e brasileiros em geral.

No primeiro Seminário que teve seu nome, os professores, técnicos e estudiosos presentes, assim como seu público, de modo unânime reconheceram que Gey tinha muito motivo de preocupar-se com a situação de sua cidade: Salvador está entrando em colapso. Este processo precisa ser detido. Com a obra que nos deixou e com a inspiração que nos dá, Gey Espinheira ainda se acha na vanguarda dos defensores de Salvador.

 

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