AGONIA DO CARNAVAL BAIANO

(Foto: capa da edicão de 11.03.2011 do Jornal da Metrópole)

Já se tornou uma verdade nua e crua, incontornável, um fato cuja constatação se impõe até aos mais obtusos, a profunda crise do carnaval baiano — crise que agora toma jeito de agonia violenta, suja, com espasmos brutais. Não há como confundir com vitalidade esses estertores do gigante drogado.  O buraco é mais embaixo e não dá para esconder.

Para começo de conversa, o carnaval de Salvador já não é de Salvador. De acordo com as estatísticas, apenas 22% dos soteropolitanos participam dele. Mas de modo desigual, é preciso que se diga. Pois muitos participam da grande festa sem festejar, ou seja, trabalhando em condições mais que precárias: uns, na condição servil de “cordeiros”; outros a espremerem-se pelas ruas, vendendo cerveja e petiscos miúdos, enfeites etc.; ou ainda catando latas dia e noite. A miséria dos “cordeiros” é explorada de forma obscena e a triste instituição do bloco de cordas se mantém ano após ano, com o beneplácito das nossas autoridades, decerto empenhadas em honrar as tradições escravistas da Bahia. Os amos do bloco até alegam que com isso oferecem uma oportunidade de ganho a pessoas necessitadas. É verdade que elas o são: a espantosa pobreza de Salvador, fruto de desgoverno e insensibilidade social, recruta facilmente homens e mulheres para esse tipo de trabalho. É ela também que leva famílias inteiras a dormir na rua durante a bela festa, sacrificando-se para obter um pequeno aumento de suas rendas com um inseguro comércio. Para isto fazem vigília, no tumulto carnavalesco; dormem pelas manhãs na promiscuidade e na sujeira, nas calçadas ou nos escassos gramados, entre bêbados e lixo.  Ou em barraquinhas improvisadas, que tomam calçadas e bloqueiam a entrada de inúmeros prédios na Barra, por exemplo.

Não vamos negar que o carnaval baiano distribui renda. Ele o faz de diversas formas. Ladrões e narcotraficantes também têm sua chance. Mas o grande lucro fica com poucos.

Claro, há o turismo que enche os hotéis; há os promoters, donos de blocos e de camarotes, as cervejarias e seus propagandistas. Os trabalhadores qualificados do carnaval têm seu ganho, muito suado… quando não levam calote, como acontece frequentemente com músicos contratados pelo município, cujas queixas ecoam por meses na imprensa. Também os “cordeiros” são com frequência caloteados.

Ao cabo, a festa repete o esquema comum de nossa economia: a alta, absurda, imoral concentração de renda. O prejuízo sempre fica para a cidade.

No ano de 2010, o prefeito chegou a declarar, queixando-se do governo do Estado, que por falta de ajuda ele via-se obrigado a desviar verbas da saúde e da educação para o carnaval. Desmentiu a declaração, mas os jornalistas reafirmaram o que tinham ouvido e gravado.  Não deu em nada porque, em nosso incipiente projeto de democracia, nem mesmo quando confessam cinicamente seus desmandos os governantes precisam incomodar-se com os rigores da lei.

De qualquer modo, uma coisa é certa: o carnaval de Salvador não dá grande retorno aos cofres públicos. Dá mesmo é prejuízo.  De diversos tipos.

No ano de 2011, a grande boutade carnavalesca foi uma declaração da cantora Cláudia Leite, que caracterizou os dois principais circuitos da folia soteropolitana a partir dos respectivos públicos: segundo ela, na Avenida Sete – Campo Grande predomina o povo; na Barra (no circuito Barra – Ondina) predomina a gente bonita. Sórdido racismo e grosseiro preconceito classista transparecem na declaração, fruto da involuntária e irrefletida sinceridade da “estrela”, equiparável à inconsciente (e momentânea) franqueza do prefeito. Mas o que a cantora boquirrota verbalizou está bem arraigado no modo de pensar da minoria hoje hegemônica no carnaval da Boa Terra. A “gente bonita” é a que veste os disputados abadás, protege-se com as cordas e os corpos de pessoas carentes do povo e se diverte seguindo seus enormes trios nos blocos privilegiados. A propósito, recorde-se o que dizem os felizes mercadores do carnaval baiano: 80% desses abadás são vendidos para turistas, para gente de fora da Bahia.

Mais uma evidência de que o famoso carnaval de Salvador já não é de Salvador.

Tampouco se pode dizer que esta é hoje uma festa popular.  Basicamente é uma festa de gente rica que tolera marginalmente uma fatia do povão. Fotos eloquentes mostram a distribuição desigual da folia soteropolitana: em camadas espremidas nas margens, gente negra ladeia o grande rio branco de foliões privilegiados. O nosso vergonhoso apartheid faz-se transparente nessas cruas imagens.

Salvador é hoje a capital mais suja do Brasil e uma das mais violentas. Tem uma população miserável vivendo precariamente em habitações subnormais, na periferia e no chamado miolo. Encontram-se também aqui áreas onde prevalece um alto IDH e outras, muitas, em que o índice de desenvolvimento humano compete com o dos países mais pobres da terra. As chagas da desigualdade obscena, da segregação e da degradação ambiental corrompem o tecido urbano. A ausência de planejamento e a infrene ganância imobiliária desfiguram o território, diminuindo a qualidade de vida dos habitantes; mesmo nas chamadas “áreas nobres” se percebe a degradação. Basta olhar para a orla progressivamente desfigurada. Salvador está falida, à beira de um colapso, com um trânsito caótico, com suas áreas verdes devastadas, os serviços públicos de saúde e educação comprometidos.  Tudo isso se reflete (e se agrava) no seu carnaval.

Vou considerar apenas o principal circuito carnavalesco de Salvador, o de Barra – Ondina. É nele que prevalece a tal da “gente bonita”. Sob vários aspectos, este circuito pode ser considerado o pior.  As estatísticas policiais o denunciam como o mais violento, com 80% dos delitos registrados. É também um circuito imundo. A quantidade de lixo aí produzida na semana momesca vem a ser aterradora. O trabalho da limpeza urbana, por mais ágil que seja, mal pode dar conta de tanta sujeira. De resto, remove apenas a parte superficial da imundície. Muita porcaria fica agarrada às calçadas, ou se entranha nas areias da praia, ou vai poluir as águas do mar. O solo submarino nesta parte da orla se transforma numa grande lixeira. Os sucessivos clean-ups depois dos grandes eventos que infestam a área se parecem muito com uma operação enxuga-gelo. Montanhas de latas de cerveja são recolhidas pelos mergulhadores; mas nada se faz para que esta poluição não se repita. Não há campanha pública educativa, não há qualquer restrição à prática deletéria que degrada uma das mais belas praias urbanas do mundo.  A coisa se repete sistematicamente. Neste carnaval, fotografaram um belo exemplo: o lixo acumulado no camarote do prefeito.

Sanitários químicos (poucos para a massa de usuários momescos) são colocados neste trecho da orla (Barra – Ondina) dominado pelo carnaval, durante a semana festiva. Mas urinar (e até mesmo defecar) na praia, nos seus rochedos, ou até na calçada, constitui um hábito reforçado pela indiferença das autoridades. No Porto da Barra, mija-se de preferência no Marco de Fundação da Cidade do Salvador. Nas areias imundas, nas calçadas fétidas, muita gente dorme, cedendo ao cansaço, à bebedeira, ao embalo de drogas. Não é difícil encontrar pessoas que cedem à fadiga ou à embriaguez estirando-se indiferentemente em meio ao lixo.  Disso também há fotos ilustrativas.

Não falta, tampouco, a poluição visual. A “decoração” carnavalesca de Barra – Ondina, neste ano de 2011, consistiu em cartazes com formato aproximado de pandeiros, de colorido berrante, contendo no interior do seu círculo, em quadrados também multicores, logomarcas  de cervejarias; misturadas a elas, viam-se (em menor número) as da Prefeitura, do Governo do Estado e da Petrobrás, no mesmo formato e desenho com briga de cores, de tremendo mau gosto. Um imenso cartaz no alto do edifício Oceania — um prédio tombado pelo IPAC — explicava tudo: “carnaval é cervejão”.

Com efeito, quem andasse por aí já na quarta pré-carnavalesca, deslocando-se entre imensos balões de propaganda, poderia pensar que estava em curso uma estupenda festa da cerveja, e que a elevação do consumo desta bebida é de interesse máximo do Estado. No morro do Cristo, os grotescos pandeiros eram enormes e dominavam completamente a bela paisagem; a estátua que tantos veneram via-se praticamente esmagada pela dimensão agressiva dos cartazes. Essa decoração poluente que entrega uma bela paisagem a um marketing grotesco se justifica alegando que corresponde ao generoso investimento de cervejarias, retribui as cotas com que financiam, em parte, o carnaval. Ótimo negócio para elas: investem, no fim das contas, em sua promoção, em um evento de que auferem grandes lucros.   Para a cidade, nem sobras.

Mas isso nada é em face da imensa, espantosa, grotesca poluição sonora, que passa por coisa inteiramente normal na semana de Momo.  Dezenas de trios elétricos desfilam a noite inteira, a todo volume, nesse malfadado circuito. A coisa começa de tarde e termina de madrugada. Só quem tem absoluto desprezo pela verdade pode garantir que esses tanks sonoros se limitam, então, aos já absurdos 130 decibéis admitidos oficialmente. O altíssimo volume de som é o grande charme desses palcos ambulantes, em que, quase sempre, o estrondo substitui a musicalidade. Desconsidera-se ainda o fato de que são muitos trios a somar, por horas seguidas, o seu impacto sonoro, num pequeno trecho da cidade, densamente habitado.

Para quem quer, aprecia, deseja e se submete de bom grado a isso, está ótimo. Mas não se leva em conta o fato de que nos bairros do circuito há também moradores que desejam dormir, querem sossego, precisam de repouso; que aí há crianças, idosos, enfermos e também gente adulta, sadia, que não se interessa pela folia, muito menos pelo barulho.

Para nossas complacentes autoridades, isso não tem importância. Direitos básicos de quem mora na área carnavalizada são eclipsados, suspensos, suprimidos, apagados ou violentamente restringidos por longo período, como se isso tivesse alguma base ética ou jurídica; como se fosse compatível com a democracia, a liberdade, a decência; como se  fosse coisa normal.  Numa cidade em que a mobilidade urbana já é crítica, o direito de ir e vir dos moradores dessa parte da orla e de outros trechos da urbe se vê severamente limitado por longo tempo. O sono é proscrito para muitos; o sossego fica proibido. Quem não quer ensurdecer que se mude.  E se quer paz, dane-se. É carnaval! Quem não deseja ver danificada sua casa, seu edifício ou seu estabelecimento de comércio, providencie tapumes e arque com os gastos, pois o poder público não tem nada com isso. Mas prepare-se direito, pois a coisa piora dia a dia: daqui a pouco será necessário blindar as janelas, porquanto os tiroteios entraram em moda nas festas da Barra (neste último carnaval, a polícia apreendeu várias armas de fogo entre os foliões, no circuito da gente bonita).

Na lógica dos donos da folia, mais importante que o direito dos cidadãos é o dinheiro gordo de alguns, o livre crescimento do capital no mercado da alegria, que não dá nenhum retorno aos bairros explorados: que os deixa imundos, depredados, arrasados, para glória e lucro de poucos. O direito à saúde pública desaparece.  O valor do patrimônio histórico e artístico é menosprezado. O gramado do Forte da Barra, há pouco recomposto, foi brutalmente pisoteado neste último carnaval e transformado, simultaneamente, em cama e lixeira de muitos.   Aqui, pelo jeito, moradores não contam. Só existem enquanto cidadãos na hora de pagar o IPTU, sempre muito alto, pois então — mas só então — Barra e Ondina passam a ser “áreas nobres”. A taxação é pesada e inexorável para quem sofre os desmandos carnavalescos. Os donos da folia sabem que podem usar e abusar do espaço público; a conta da depredação nunca lhes será cobrada. Grandes blocos até já se beneficiaram de gracioso perdão fiscal.

Os donos da folia caracterizam sua promoção como cultural, reclamam verbas públicas destinadas à área da cultura. Mas é difícil encontrar qualquer coisa de criativo e interessante no circuito da gente bonita. A criatividade e a beleza, o humor, a crítica, a inteligência, são ainda encontráveis (cada vez menos) no carnaval baiano, mas não no espaço que se considera o mais privilegiado dessa folia. Os blocos afros continuam belos, o Filhos de Ghandi ainda encanta, há graça nas Muquiranas e na Mudança do Garcia — cada vez mais espremida e restrita, tolerada de má vontade pelos organizadores do festejo carnavalesco —, assim como no Jegue de Cueca e em outros grupos populares de fato, marginalizados no atual modelo do momo de Salvador. O trio elétrico agigantou-se e multiplicou-se cancerosamente, nos currais dos blocos de cordas; nessa reprodução descontrolada e deformadora, o delicioso invento de Dodô e Osmar limitou-se à função de palco de estrelas atléticas de shows do mesmo tipo. Em poucos trios se faz, atualmente, música de qualidade; e são menos ainda os que seguem o caminho dos inventores, cuja alegria era animar os pipocas. Parece que neste ano a grande “inovação” da festa baiana, pelo menos no circuito Barra Ondina foi… a techno-music. Os disc-jockeys “importados” passam a reger este carnaval. Em que há pouca dança. Muitos dos foliões passam longas horas a caminhar de um lado para o outro, à espera de que surja a estrela e dê seu show, fazendo-os agitar-se quase mecanicamente. Seja como for, os donos da folia insistem em que o carnaval é o supra-sumo da cultura baiana. Deve-se concluir que são obras primas da Bahia o rebolation, o chupa toda etc. Também há quem afirme que a sujeira e o barulho “fazem parte” da cultura baiana.  Mas o povo baiano com certeza não merece o insulto.

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37 comentários sobre “AGONIA DO CARNAVAL BAIANO

  1. Sou professor de escola pública em Salvador e não brinco carnaval. Entrei na real quando o bloco camaleão mudou o perfil dos associados de baianos para sulistas e me deparei com um aluno puxando as cordas do referido bloco. Expressivo o seu comentário a respeito do carnaval de Salvador. Parabéns!

  2. Muito oportuna, verdadeira e lúcida, quem mora próximo aos “circuitos” e não gosta de carnaval, vai compartilhar com alegria!

  3. o alto volume dos trios é perfeitamente justificável: a qualidade da música carnavalesca, se é que podemos chamar de música, é inversamente proporcional ao volume dos trios. quanto menor a qualidade da “música” maior a necessidade de aumentar o volume. se coisa continuar “evoluindo” desta forma, em muito pouco tempo estaremos muito semelhantes aos ancestrais pré históricos, uma massa de animais berrando.

  4. Professor Ordep, acabo de ler seu texto, escrito há 2 anos. As verdades aí enunciadas e denunciadas continuam válidas, se encaixam perfeitamente em 2013…. e não há perspectivas de melhorias. Receba o meu abraço sincero.

  5. plausivel. porem, precisa entender que a maioria participa dessas coisas e nao ta nem ai pra isso. grandes mudancas so ocorrem quando todos refletirem da mesma forma que o autor do texto. a evasao de soteropolitanos no carnaval e produto de que eles nao se sentirem incluidos nessa maior festa “popular”, atraves de exorbitantes precos de camisa que, a preco de custo, e quase zero. muitos leitores provavelmente passaram o olho em cima desse texto e disse a mesma ladainha de sempre.
    nao preciso parabenizar o texto. isso nao e o bastante. e compartillhar, e se possivel, abrir a cabeca de muita gente que ainda nao conhece, ou nao quer conhecer, o lado b do carnaval.

  6. Excelente e verdadeira avaliação. Sou de Salvador e acompanhei essa desastrosa mudança do carnaval da Bahia ao longo dos úlimos 20 anos. Transformaram o carnaval numa fonte de enriquecimento de poucos que se acham os donos da festa e marginalizaram o povo da cidade que aos poucos foi perdendo o direito de brincar livremente, pois para isto precisa ter dinheiro para pagat um bloco ou se sujeitar à violência gerada pela redução dos espaços públicos nos circuitos da festa que foram invadidos pelos blocos e suas cordas espremedoras e pelos camarotes. Hoje o que vale é a ganância empresarial do segmento econômico do carnaval, que virou uma grande indústria.

  7. Bom, es analistas do carnaval baiano, se repetem ano a ano.Toda véspera de carnaval ouço ou leio alguma coisa do gênero…Decretam o “fim do carnaval baiano”.Falam das tais cordas… dos privilégios dos “donos” do carnaval, da “música ruim”, dos excluídos,bla bla,bla babá…. Tenho 56 anos, dos 16 aos 40 anos frequentava os carnavais da Bahia.E, desde os meus 16 até hoje a mesma “lenga-lenga”….Deixa o carnaval ser carnaval em paz!

  8. Um excelente artigo,que põe todos os “pontos nos is” do que virou o carnaval da Bahia,aliás,esse há muito tempo deixou de existir por aqui.Isso que alguns ainda resistem em chamar de carnaval,não passa de um show para uma platéia particular,sustentado por interesses comerciais.E o que mais me revolta é ver o povão ainda tentar “um lugar ao sol” nesse show.
    Parabens,Ordep.Você disse tudo!

  9. Admirado e querido professor Ordep Serra, um alívio encontrar seu texto. Estou convicta de que precisamos falar mais, botar a boca no trombone. Não é possível que isso continue como está, anos a fio. Quem sabe não fazemos um Bloco, bem humorado e mui irreverente. Quem sabe esse Bloco ganhe expressão. Quem sabe o próprio Momo venha nos salvar…. – “Quem quiser par-ti-ci-par, põe o dee-do aa-qui!”
    Saravá!

  10. Há quanto tempo o velhinho ai nao bota o pé na rua no carnaval? Se tivesse ido teria notado a quantidade de crianças e adolescentes que estão na rua, se divertindo com pouco, ou sem nenhum dinheiro. Isso é sinal de crise? Será que incomoda a esses acadêmicos o fato de pobreza se divertir? Por que usar estatísticas, sem citar as fontes, para justificar argumentos pobres?

  11. Concordo plenamente.
    Com a atual evolução da qualidade da música e as grandes estrelas pensando apenas em cifrões, esta festa está fadada a findar-se.

  12. Gostem ou não, o Carnaval é a única coisa que ainda restou dos tempos áureos da Bahia. Cabe ao município tirar lucros desta tradição, que pode ser muuuuito lucrativa, e transforma-los em benefícios para o povo, mas se os gestores não tem competência para fazer, ou mesmo interesse que isto aconteça, aí o problema é outro e eu já conheço: – Chama-se FALTA DE ORDEM!
    Essa desordem vai desde o ordenamento familiar (pessoal), passando pelo politico (governantes) e interferindo no ordenamento urbano (da vida do cidadão) e isto é muito mais antigo que o Carnaval e, ao meu ver, vai permanecer por muito tempo, juntamente com esta festa.

  13. Maravilhoso Ordep. Um libelo contra o maucaratismo de nossas elites, da subserviência de seus políticos. Só faltou examinar porque, mas porque mesmo, as mesmas continuam insensíveis aos reclamos de 80% da população soteropolitana, colocando em prática um modelo de carnaval que não interessa ao nosso povo, sejam “bonitos”, sejam “feios”, na exata dimensão estética em que dividem os que vivem por aqui.

  14. Parabéns pelo excelente comentário. Há ainda as defecações pelas ruas; o sexo inconsequente; as drogas importadas; as brigas marginalizadas etcetc.

  15. Ordep Serra, cujo pai inverteu seu nome, que seria Pedro, traz à luz um assunto que não gostam quer abordem em Salvador ou na Bahia toda. Há escravidão na Bahia no carnaval ou em qualquer outra época. O carnaval foi carnaval em Salvador até meados dos anos 80, quando haviam poucos blocos e a maioria pulava mesmo era atrás do trio, sem cordas, sem muita violência, sem negócios. Valeu Ordep, parabéns….

  16. É isso aí meu caro Ordep, enquanto a alta casta se diverte, as cervejarias se empanturram de grana e os senhores políticos se locupletam, os pobres “preguiçosos” carentes de tudo aproveitam os dias de folia para arranjar um “troco” para dar de comer aos seus filhos. ISSO É SALVADOR, ISSO É BAHIA, ISSO É NORDESTE, ENFIM ISSO É “BRASIU” (É ISSO MESMO: BRASIU COM U NO FINAL!

  17. Só os “organizadores do carnaval” não sabem que quem faz o verdadeiro carnaval é o povo. E o que o povo faz é por amor e com amor, não é por dinheiro. No entanto eles fazem por dinheiro. Digo isto porque eu organizava uma charanga (alguém lembra isso?) de travestidos que saía sexta feira à noite. Íamos para a avenida (circuito Dodó), nos divertíamos nas barracas, enfrentando blocos de trio e etc, tudo isso sem nenhuma verba do governo, só dos nossos bolsos. Assim como eu, tinha muitas outras pessoas que faziam isto. E, para mim, isto é que é o espírito do carnaval. Mas tudo isto está morrendo (ou já morreu). O Governo paga a um grupo de mascarados e pequenos blocos para “fazerem” o carnaval do Pelourinho. Mas tudo que é pago e programado, não é a mesma coisa do que é feito espontaneamente e desinteressadamente.

  18. Há muito tempo o Carnaval baiano deixou de ser “baiano”. Não só por interesse dos governantes, como das grandes”estrelas” baianas.
    O carnaval de Salvador perdeu sua essência, perdeu sua beleza e não é em vão que apenas 22% da população pula o carnaval.
    Um verdadeiro e grande lixão, extremamente perigoso e infelizmente nada se é feito para mudar essa triste realidade! Viva a Bahia, viva o nosso Brasil.

  19. Por mais que uma boa parte – a maioria, poder-se-ia dizer – do artigo seja procedente, entendo tambem ter sido o texto absolutamente negativo, vendo-se apenas um lado da moeda e, em certos aspectos, sendo um tanto parcial! Concordo com o Rafael quando disse que “A capacidade de criticar deveria ser a mesma de sugerir melhorias e alternativas.”. Gostaria de ler do autor sugestoes de possiveis solucoes com a mesma clareza e consistencia com que apontou as falhas do carnaval de Salvador. No geral, com algumas restricoes, achei o texto forte e que, sem duvidas, conseguiu ir direto na ferida …

  20. Parabéns, prof. Ordep, a descaracterização do carnaval baiano é preocupante. Como toda festa tradicional e folclórica, ela deve ter seus elementos típicos preservados. Não se pode deixar que o lado econômico, mesmo o turístico, domine.

  21. Você analisou esse caos de vários pontos de vista.
    Se divertem aqueles que não tem um esclarecimento crítico para perceber que a diversão barata custa o sustento da riqueza dos que estão no topo dessa pirâmide. iaAí vemos o retrato da escravidão, da corrupção, da imoralidade e da falta de respeito à dignidade dos cidadãos. Isso angustia um ser humano!
    Parabéns pelo texto!

  22. Essa descaracterização também ocorreu com as escolas de samba do Rio de Janeiro, eu já desfilei algumas vezes e percebi, que os melhores lugares são ocupados por turistas de diversas nacionalidades, arregimentados por agências de viagens. Os mesmos, pouco interagem e em poucas horas vão embora deixando os tais lugares nobres vazios e povão à quilometros de distância pagando caro não visualizando o espetáculo, só a montagem e o desmanche das escolas.
    Outro fato, é o comportamento dos dirigentes das escolas para com os seus componentes que fazem o espetáculo de graça para que muitos ganhem fortunas, não tendo direito á nada nem um copo de àgua é fornecido, tudo é pago dentro das quadras, as vezes a ala das baianas, passistas e baterias tem direito a matarem a sede As Super Escolas de Samba SA, lucram as custas de uma grande maioria pobre que ainda desfilam romanticamente pelas cores da Escola de sua comunidade, comandada pelos grandes tubarões.

  23. PURA VERDADE…TEXTO LUCIDO, CORAJOSO…UM ALERTA AOS CIDADAOS…A BAHIA E DE TODOS,MAS AGORA E MUITO MAIS D E L E S….QUE NOS NEM SABEMOS QUEM SAO!!! Socorro Ribeiro.

  24. A mídia precisa evidenciar a importância do circuito Batatinha no Pelourinho, um carnaval sem cordas, com ótimas atrações, um verdadeiro carnaval cultural. Mas a Bahia é um carnaval de grandes “estrelas”, é preciso se repensar sua estrutura, para que em todos os circuitos, a população possa se divertir com tranquilidade e segurança.

  25. a solução eh bem obvia_ acabar com as cordas> diminuir os decibeis dos trios> prestigiar blocos popular e manifestações como marchinhas que tem de montao nessa Bahia_ i fechar as pernas pra essa elite canalha_ tenho certeza tb q o texto eh produto de debates q acontecem na cidade_ chega desse acumulo primitivo de capitais dos donos do carnaval

  26. Morei em Salvador durante toda a década de 1990…administração de direita…ACM…nunca fui fã, mas o Pelourinho foi revitalizado, a cidade era extremamente limpa e o povo…o povo baiano sempre foi e será o grande patrimônio dessa terra. Fui feliz na Bahia. Os problemas do carnaval são graves, mas não refletem a grandeza dessa terra.
    Prof. Manoel Granja (Pernambucano radicado no Paraná).

  27. CONCORDO!! NÃO SABIA DESTA MAIS NOVA DECLARAÇÃO DE CLAUDIA LEITE,BEM SE VÊ O POUCO CONTEUDO QUE ELA TEM!! VALE SALIENTAR TAMBÉM QUE ATÉ PARA ALGUNS ARTISTAS DE VERDADE AS OPORTUNIDADES SÃO DESIGUAIS!!! SOMENTE OS RICOS E DONOS DE BLOCOS RICOS TÊM DIREITO!!

  28. Texto coerente e verdadeiro. Vi com meus próprios olhos tudo que é dito pelo professor e sociólogo Ordep Serpa. Parabéns pela coragem de revelar o que muitos, a minoria que lucra com o carnaval e o foliões “inconscientes” , não querem ver ou encobrem vergonhosamente.

  29. Não pulo carnaval já há algum tempo, detesto pagode. Mas não concordo com esta “defesa” do povo oprimido!!! Opromido mas brincando (e muito) o carnaval,uma das suas poucas alegrias além do nosso fraco futebol. E o volume de dinheiro deixado pelos turistas não conta na nossa economia? Sim, tem muita gente nossa trabalhando nas cordas… mas e durante o ano, sem carnaval, esse povo faz o que para ganhar um dinheirinho?
    Não concordo com esta visão apresentada, aliás, não concordo com nenhum tipo de radicalismo e o que foi apresentado é puro pensamento radical.

  30. A grande sensação que fica no final do carnaval em Salvador é a de que SOMENTE QUEM CURTIU INTENSAMENTE a festa foram os cantores…é sempre assim. É ridículo como eles demonstram uma animação falsa. Pudera…a quem mais interessa o carnaval além deles? Bando de mercenários…é onde eles inflam o ego se sentindo estrelas de primeira grandeza, atocham o bolso de dinheiro que um cidadão comum não teria nem em 10 encarnações, depois vão pros seus palacetes, totalmente indiferentes à realidade da cidade que dizem amar tanto ,conhecem muito bem mas que são covardemente incapazes de usar sua influência em prol das resoluções que beneficiem os mais necessitados. Também… se expor pra que, né? Por que sair do conforto e por em risco a parte que me toca? CRIAR UMA COREOGRAFIA SENTANDO NUMA GARRAFA, BATENDO A BUNDINHA, ARRASTANDO CORDA DE CARANGUEIJO, PEDINDO UMA LATINHA, LEVANTANDO A POEIRA OU PROCURANDO DALILA NA MULTIDÃO é mais…mais…mais que o suficiente, não é mesmo? – É…devo convir que é mais que o suficiente afinal…pelo nível de conteudo do que cantam…seria – REALMENTE – esperar uma atitude cidadã além do impensável.

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