Deletérias emendas

Deletérias emendas e absurdas reformas que violentam a Constituição, anulam direitos dos trabalhadores, facilitam a agressão ao meio ambiente e o esbulho de terras onde vivem povos indígenas, comunidades quilombolas e outras são dadas como remédio para a crise. Com o mesmo pretexto a malta governante promove cortes brutais nas despesas em educação, saúde, ciência e tecnologia, segurança, infraestrutura, transportes etc. Alega a canalha do governo que tudo isso é necessário “para permitir o pagamento da dívida pública”. A seu ver, importa mais do que a saúde, o bem-estar e a própria vida da população, pagar uma dívida cujo montante ninguém conhece. Ora, eles estão cansados de saber que essa dívida é impagável. Note-se que nunca a discutem, nada esclarecem a respeito. Se quisessem realmente equacionar o problema, fariam o óbvio, o indispensável: uma rigorosa auditoria que apurasse com precisão, de uma vez por todas, a verdadeira dimensão, o montante real da famosa dívida. E parariam de acrescê-la. Os devotos do superavit primário que nos sangra o orçamento exigem do povo que se submeta às cegas à injusta corveia. Nada mais perverso, nada mais estúpido. Não faz o menor sentido sacrificar quase metade do orçamento num dispêndio tão absurdo. É esfalfar-se para encher um tonel sem fundo, pagando juros de juros, numa progressão infindável, sem saber nem mesmo o que se está pagando, ou a troco de quê. Dá-se, porém, que essa loucura é fonte de riqueza para uma minoria ultraprivilegiada.

Os Estados Unidos detêm a maior dívida pública do mundo e apenas a administram, não cogitam de saldá-la em definitivo, zerando-a de uma vez por todas. Sabem que essa não é uma meta real, portanto não se escravizam a ela. E sua economia, apesar das crises, se mantém como a mais poderosa do globo. Aqui, nossos governantes fazem da dívida pública a grande bandeira, a mais premente exigência da vida nacional, ao tempo em que escondem seu valor como um mistério intocável e lhe aumentam seguidamente o tamanho, multiplicam o ônus da conta que não querem examinar. Melhor dizendo, enormes sacrifícios são feitos com vistas ao pagamento dos sempre crescentes juros da dívida. Neste ano a brincadeira já consumiu mais de 221 bilhões de reais. E a dívida mascarada não diminui, por muito que se pague. Quanto mais se paga, mais ela aumenta. Já passa de 3 trilhões de reais. Sua rolagem nos custa 8% do PIB.

Vários países praticam taxas de juros negativas quando se trata de remunerar a dívida pública. O Brasil procede a uma atualização monetária mensal e cumulativa, com base em um índice que engloba variação cambial, mesmo no caso da dívida interna. Como se não bastasse, acrescentam-lhe o valor de expectativas inflacionárias conjeturadas de modo amigável. Em suma, os títulos públicos brasileiros são hiperindexados e recebem generosos juros reais. Diversos artifícios multiplicam de forma nababesca o rendimento dos detentores desses títulos. Na prática, os juros são veladamente transformados em capital, gerando uma incrível cascata em que a dívida se retroalimenta e se multiplica de contínuo.

Estamos entregando mais de um trilhão de reais a investidores (nativos e estrangeiros) que detêm títulos da dívida pública brasileira. E vale repetir: não conhecemos o valor real dessa dívida. O Equador fez auditoria da sua e verificou que ela era muitíssimo menor do que se alegava. Aqui, é proibido falar nisso.

 

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