Lá vem o Alalá

Breve estarei lançando um romance a que dei o título de Alalá do Luaréu, na coleção Mestres da Literatura Baiana, editada pela Academia de Letras da Bahia e pela Assembléia Legislativa da Bahia. O romance divide-se em quatro partes, em quatro livros: História de Cíntia, Transpeculação do Lunispício,  Lunário de Enoque e Crônica de Cirão. A divisão corresponde à agência de diferentes narradores, embora uma trama subjacente confira unidade ao romance. A História de Cíntia é o texto mais longo. Fala de um acontecimento crítico motivador de toda a intriga. O motivo da crise é alvo de uma busca de esclarecimento que produz o  enredo. Essa busca transcorre inicialmente numa pequena cidade sertaneja onde se presume que teve lugar um acontecimento obscuro, deslembrado, mas provocador de intrigas, medo e confusão. Prossegue em Salvador, onde a história procurada se entretece com outras, transcorridas aí, mas também no Recôncavo e em outros espaços. Envolve um diálogo entre personagens de diferentes origens e meios sociais. Evoca a efervescência cultural da década de 1970 na Bahia (e em todo o Brasil). Reporta-se a experiências artísticas inovadoras, ao movimento hippie e ao tropicalismo, mas também aos embaraços do momento político nacional em tempos de ditadura. O romance se aproxima, então, do teatro e do cinema. Na Transpeculação do Lunispício dá-se amplo espaço à inovação no campo da linguagem, numa breve tapeçaria fantástica. O Lunário de Enoque se compõe de poemas curtos: constitui uma espécie de jogo divinatório com peças líricas, com que se pretende decifrar o motivo da intriga e do romance. Na Crônica de Cirão verifica-se o retorno ao mundo sertanejo e dá-se espaço a múltiplas vozes, com uma exploração criativa de dialetos do interior baiano. O texto incorpora a linguagem da poesia de cordel, de oratórios, crônicas e legendas sertanejas. A crise motivadora acusada logo no começo (já na História de Cíntia) liga um acontecimento histórico de alcance global e midiático (a primeira chegada de homens à lua) com uma agitação do mundo sertanejo. A cidade em que transcorre essa agitação não é identificada, mas sugere-se que ela se situa geograficamente num espaço de transição entre o semi-árido e a Chapada, porém não muito longe do litoral sul da Bahia. Diferentes territórios e identidades são assim trazidos à cena.

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