ACLAMAÇÃO DA RAINHA POBRE

Quero reportar-me à nossa cidade invisível: a Salvador escondida, mascarada, ignorada; a que, ao nosso sentimento da forma urbana, parece quase amorfa, ou surge como toda “informal”; ao “resto” tão maior que a urbe sempre contemplada, ao seu corpo nebuloso, quase impenetrável por trás da cortina dos espaços menos urbanizados que “cenografados”.
Perversa indiferença esconde parcelas significativas de nossa metrópole, joga nas trevas uma grande massa de sub-cidadãos. A cidade espetacularmente ostentada sufoca sob a fantasia que lhe vestem, torna-se invisível sob a cintilação do seu fantasma. E pesados silêncios ainda se abatem sobre ela, que segue velada por sua própria sombra.

Pense, amiga, nas políticas urbanas aplicadas aqui. Em geral, seu traçado se pré-define segundo injunções que nunca vêm à tona. Os planos fazem-se ex post facto – e esse planejamento se quer secreto, pouco ou nada se abre à discussão; menos ainda se franqueia à participação do povo da cidade. Fica, assim, “protegido” do debate e do interesse público. Decorre um policy-making curiosamente despolitizado – uma radical negação da pólis.

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